Um jovem quando é ordenado sacerdote da Igreja e, de modo especial, quando é padre diocesano (secular), geralmente está direcionado a trabalhar numa Paróquia, seja como Pároco – aquele que tem a missão de ser o administrador espiritual e do patrimônio ou como Vigário – aquele que auxilia ao pároco nos campos em que o próprio o convida a desenvolver seu ministério pastoral.

E, de acordo com as orientações da CNBB e de cada Diocese, o padre diocesano sabe que em primeiro está à disposição da sua Diocese, na pessoa do Bispo local e, em segundo a disposição da Igreja Universal em consonância com sua Diocese local.

Dentro deste entendimento o padre diocesano ao assumir o encargo de Pároco é chamado junto ao Bispo local, à desenvolver o ministério presbiteral junto àqueles que lhe foram confiados naquele território chamado Paróquia.

A Arquidiocese de Florianópolis é muito diversificada tanto do ponto de vista geográfico, composta de interior e litoral; como do ponto de vista de etnias, culturas, tradições religiosas. Também tem uma vasta riqueza no campo social-político-econômico.

Então, sempre que um padre diocesano é transferido para uma determinada Paróquia, surge certa ansiedade, “friozinho na barriga”, expectativas, questionamentos, enamoramento, de ambas as partes – da parte dele próprio e do povo que constitui aquela referida Paróquia. Contudo, ao se espelhar em Maria, se deve dizer – Eis aqui a serva do Senhor! (cf. Lc 1,38) Ter a certeza que o próprio Espírito Santo está à frente e conduz a Igreja de Cristo Jesus. Ou na mística de Francisco de Assis – “Fazei-me instrumento…”

A Paróquia que o padre diocesano deixa para trás, diria que é chamado a agradecer junto com aqueles que lhe foram os pés, as mãos, a extensão no serviço pastoral por tudo que Deus permitiu realizar durante aquele tempo em que esteve à frente da mesma em sintonia com o Arcebispo. E, ao mesmo tempo orar para que o Espírito do Senhor continue a se manifestar através daquelas pessoas que colaboram e participam efetivamente da vida paroquial com todos os projetos desenvolvidos e a serem acrescidos. Também saber que esteve ali com servo de Deus, pois a obra é divina e permanecerá. O ministro ordenado só dispensou os dons que o próprio Mestre Jesus colocou nele para servir aos fiéis e demais pessoas que lhe apareceram no percurso do exercício do ministério.

O povo de Deus, aquela parcela que constitui a determinada Paróquia é chamada a ter presente que pertence a uma Arquidiocese (Diocese), e sua comunidade paroquial é apenas uma das partes do todo que está em sintonia com toda a Igreja de Cristo. Assim, cada leigo e leiga é chamado a viver também a tríplice do sacramento do batismo – sacerdote, rei e profeta. Por isto, como mesmo diz a Novo Millennio Ineunte é preciso “fazer da Igreja a casa e escola da comunhão: eis o grande desafio que nos espera no milênio que [já vivemos], se quisermos ser fiéis ao desígnio de Deus e corresponder às expectativas mais profundas do mundo” (n.43). E diz mais: “Antes de programar iniciativas concretas, é necessário promover uma espiritualidade da comunhão, elevando-a ao nível de princípio educativo em todos os lugares onde se plasma o homem e o cristão, onde se educam os ministros do altar, os consagrados, os agentes pastorais, onde se constroem as famílias e as comunidades” (n. 43).

Acredito que esta seja o maior desafio, sempre que um padre diocesano chega a uma Comunidade Paroquial. Fazer perceber que não se está ali para governar como no âmbito governamental do Estado Cívico e, sim estar a promover o Espírito das Comunidades Cristãs orientada pelos ensinamentos da Santa Madre Igreja.

Pe. Marcelo Telles
Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida
Bairro PROCASA, São José(SC)
 

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