11012164_508499199322384_5234004100747293640_nO Seminário Nossa Senhora de Lourdes foi criado em 21 de fevereiro de 1927 por Dom Joaquim Domingues de Oliveira, arcebispo de Florianópolis, por imposição do clero. Na época os vocacionados eram encaminhados ao Seminário de São Leopoldo (e de fato, os seminaristas da filosofia e teologia para lá continuariam indo até depois do Concílio Vaticano II). Na época era inviável criar um seminário em terras catarinenses, por causa dos altos custos (e todas as tentativas deram errado!). Mas Florianópolis, diocese desde 1908, agora acabara de ser elevada à Arquidiocese, e os padres achavam necessário ter um seminário por aqui.

E Dom Joaquim cedeu. Nomeou reitor o cura da Catedral, Padre Jaime de Barros Câmara.

Inicialmente o Seminário funcionou na casa paroquial da catedral, sendo transferido para sua casa, na Rua José Vieira nº2, onde foi oficialmente erigido em 25 de março.

Mas o arcebispo não estava muito contente com a casa um tanto pequena, queria que o Seminário funcionasse no Vale de Azambuja, em Brusque, local de grande espiritualidade, coração da Arquidiocese. Em 1915 ao visitar o local o então reitor Padre Gabriel Lux perguntou ao então bispo se faltava alguma coisa em Azambuja, Dom Joaquim soltou a frase: Falta estar escrito Seminário Diocesano no frente do prédio (da Santa Casa). Só não foi o Seminário para Azambuja, porque o clero relutava em fundar o Seminário perto dos loucos do Hospício e doentes do Hospital. Mas como Dom Joaquim fazia o que achava o certo, em abril mesmo transfere o Seminário para Azambuja.

E lá se vão os seminaristas e o padre reitor de muda de novo, chegaram ao vale na madrugada de 20 para 21 de abril e ocuparam o primeiro e segundo andar do hospital.

As coisas começaram a melhorar em 1929 quando a última parte de prédio foi construída, mas melhoraram mesmo em 1936 quando o novo prédio do Hospital ficou pronto.

Dom Jaime de Barros Câmara

O período do padre Jaime foi o que formou o Seminário. Seu modo de ser e agir influenciou toda a história do Seminário. Era verdadeiramente pai, estando sempre junto aos Seminaristas. Das quatro da manhã à meia noite. Incansável.

Tão frutuoso seu trabalho que em fins de 1935 foi eleito bispo de recém criada diocese de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Foi ordenado bispo na Catedral de Florianópolis em 2 de fevereiro de 1936. E seu incansável trabalho e zelo pastoral só se fizeram aumentar.

Em 1943 foi eleito arcebispo de Belém do Pará. No ano seguinte eleito arcebispo do Rio de Janeiro, sucessor do Cardeal Leme-grande responsabilidade. Em 1946 foi criado cardeal pelo Papa Pio XII e lá se foi o cardeal visitar Azambuja. E faria mais uma visita à Azambuja em 1964 para visitar o novo Seminário e Dom Joaquim, em seu áureo jubileu episcopal.

Dom Jaime teve intenso trabalho no Rio de Janeiro, sendo conhecido como Cardeal das Favelas, por visitá-las constantemente. Muito trabalhou pela defesa dos direitos humanos durante a ditadura militar. Muitas vezes falou em nome da CNBB. Fez jus ao seu lema episcopal: Vim trazer fogo à Terra (Ignem veni mittere), fala de Jesus no Apocalipse.

Não só o fogo de pregar a Palavra de Deus sempre, como o de não parar nunca.

Dom Jaime era muito amigo de Dom Joaquim, e com ele trocou intensa correspondência. E queria sempre saber como andava a Azambuja amada, que nunca esqueceu.

E entregou sua alma a Deus em fevereiro de 1971, na comemoração deu seu Jubileu de Prata cardinalício.

Fonte: Conhecendo Azambuja