20160712_171149__DSC7362Há muitas localidades no Brasil e em nosso Estado, em que se vê, geralmente nas encostas de um morro, ou zigue-zagueando em algum bosque, um conjunto de quadros ou imagens, representando a subida de Cristo ao Calvário. É a Via-Sacra. Não se encontra, porém, algo semelhante representando os 15 Mistérios do Rosário. É isto que nós encontramos em imagens de cimento, em tamanho natural, individualmente ou em grupo, na encosta do morro ao lado esquerdo do Santuário.

A idéia nasceu de uma conversa entre o Pe. Afonso Niehues – Reitor, e o Pe. Guilherme Kleine – administrador, em princípios de 1950. O pensamento voltava-se para a complementação da devoção a Nossa Senhora, principalmente em vista dos peregrinos que procuram este lugar de atmosfera sagrada. Acrescia outra razão: o fato de estarmos comemorando o Ano Santo da Redenção, e parecia de bom alvitre caracterizar o ano jubilar com algum marco comemorativo. A inspiração que veio à tona foi erigir os 15 Mistérios do Rosário. Inspiração que brotava do espírito religioso que enchia este recanto tranqüilo de Brusque: Gruta, Santuário, Seminário, Morro do Rosário!

O Sr. Arcebispo aprovou a sugestão e pediu que se fizesse o possível para ainda este ano inaugurar, no alto do morro, o Monumento comemorativo, ou seja, o último dos Mistérios Gloriosos: a Coroação da Virgem Maria pela Santíssima. Trindade!

Não havia tempo a perder. Todas as providências foram tomadas aceleradamente: medição do morro, abertura do caminho, encomenda das imagens em São Paulo e construção da capela. Povo e seminaristas emprestaram a sua decidida colaboração com a mão de obra.

Assim, na noite de 14 de agosto de 1950, precedido por uma belíssima procissão luminosa, na presença de autoridades eclesiásticas, civis e militares e uma multidão de peregrinos, ao som de uma banda de música e de um coral de cantores, com um programa de orações, cantos, discurso e fogos, o Monumento foi inaugurado num clima de emoção. Todos se davam conta de que Azambuja tinha dado mais um posso notável como centro de peregrinações.

20160712_131806__DSC7233Aos poucos, até 1954, centenário do dogma da Imaculada Conceição, todas as imagens dos 15 Mistérios do Rosário, estavam no seu lugar e ornamentavam o zigue-zague do caminho até o alto do morro: a Anunciação, a Visita a Santa Isabel, o Nascimento em Belém, a Apresentação no Templo, o Encontro no Templo, a Prisão de Jesus, a Flagelação, a Coroação de Espinhos, o Carregamento da Cruz pelo Calvário, a Crucificação, a Ressurreição, a Ascensão, a Vinda do Espírito Santo, a Assunção de Nossa Senhora, e a Coroação de Maria pela SSma. Trindade.

É uma realização original, piedosa, adequada para momentos de reflexão, exercício de penitência, cumprimento de promessas, e de reerguimento espiritual.

Agora, todo arborizado e ajardinado, o Morro oferece um belo espetáculo, principalmente em agosto, por ocasião da floração das azaléias. Com frequência se vêem pessoas galgando lentamente a subida com o rosário na mão, isoladamente às vezes, em grupo ou pequenas procissões, outras vezes. Mais empolgante é sempre a véspera da grande festa de agosto, a Assunção de Maria, a bem conhecida festa de Nossa Senhora de Azambuja: os peregrinos, com velas na mão, sobem rezando e cantando cantos de louvor e agradecimento a Deus, através da Mãe de Cristo e Mãe de todos os caminhantes.

A Gruta, o Santuário e o Morro do Rosário são pontos obrigatórios para os visitantes de Azambuja.

Mensagem do Peregrino

Peregrino que vieste ao Vale de Azambuja, a tua viagem e a tua visita encerram um sentido de fé e de esperança!

Nossa Senhora teve o privilégio de participar da intimidade de Jesus Cristo. Não só viveu em sua companhia, mas o trouxe à luz do mundo como Salvador dos homens. Repartiu com seu divino Filho as preocupações da história da Salvação da humanidade.

Tua vida, prezado peregrino, tem estreita relação com a história dos homens e com a história de Deus entre os homens. Somos um povo a caminho da cidade permanente; somos todos peregrinos de Deus. Caminhamos com a coragem dos arautos da fé e com a certeza dos profetas da esperança, mas sentimos a inquietação dos passageiros do tempo! O mundo prova todos os dias a sua incapacidade de tranqüilizar o nosso espírito. Nada aqui é estável, nada é duradouro, nada é definitivo. Os problemas, quando têm solução, é apenas por alguns anos, alguns meses, alguns dias, algumas horas!

Nossa aspiração supera o tempo, vai além, deseja uma realização plena, queremos viver felizes e em paz.

Que a Virgem Mãe de Cristo reparta conosco a sua intimidade com Cristo; com ela queremos participar da história na construção de um mundo mais humano, e da história de Deus no meio dos homens. Sabemos que o tempo não é algo separado da eternidade. É o começo da eternidade!

Peregrino amigo, Nossa Senhora de Azambuja ilumine os caminhos de tua vida, fortaleça a tua vontade no cumprimento de tua missão, consiga de Deus a graça de aceitares a ti mesmo e te dê, em grande abundância, os dons do amor e da paz

Dom Afonso Niehues

Os mistérios e sua fundamentação bíblica

Mistérios Gozosos
(segundas-feiras e sábados)
I – A Anunciação do Arcanjo Gabriel à Nossa Senhora: “Entrando onde Maria estava, o Arcanjo anunciou ‘Ave, cheia de graça, bendita és tu entre as mulheres’” (Lc 1,28).
II – A visita de Nossa Senhora a Santa Isabel: “Logo que Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou em seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: ‘Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre’” (Lc 1,41-42).
III – O Nascimento de Jesus em Belém: “Maria deu à luz seu filho primogênito, envolveu-o em faixas e o reclinou em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2, 7).
IV – A Apresentação do Menino Jesus no Templo: “José e Maria levaram o Menino a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor, em obediência ao que está prescrito na Lei do Senhor: ‘Todo primogênito masculino será consagrado ao Senhor’”. (Lc 2, 22-28).
V – O Reencontro de Jesus no Templo entre os Doutores da Lei: “Depois de três dias o encontraram no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. Todos os que o ouviam estavam maravilhados de sua sabedoria e de suas respostas” (Lc 2, 46).

Mistérios Luminosos
(quintas-feiras)
I – O Batismo de Jesus no Jordão: Enquanto Cristo desce à água do rio, como inocente que “se faz pecado por nós” (2 Cor 5, 21), “o céu abre-se e a voz do Pai proclama-o Filho dileto” (Mt 3, 17), “ao mesmo tempo que o Espírito vem sobre ele para investi-lo na missão que o espera”.
II – A Auto-Revelação de Jesus nas Bodas de Caná: É o início dos “sinais” (Jo 2, 1-12), quando Cristo, transformando a água em vinho, abre à fé o coração dos discípulos, graças à intervenção de Maria, a primeira entre os crentes.
III – O Anúncio do Reino de Deus com o convite à conversão: É a pregação com a qual Jesus anuncia o advento do Reino de Deus e convida à conversão (Mc 1, 15), perdoando os pecados de quem a ele se dirige com humilde confiança (Mc 2, 3-13; Lc 7, 47-48).
IV – A Transfiguração de Jesus: Mistério de luz por excelência, a Transfiguração se deu no Monte Tabor, e é a revelação da glória da Divindade, que reluz no rosto de Cristo, enquanto o Pai o acredita aos Apóstolos extasiados para que o “escutem” (Lc 9, 35) e se disponham a viver com ele o momento doloroso da Paixão.
V – A Instituição da Eucaristia, expressão sacramental do Mistério Pascal: Jesus Cristo se faz alimento com o seu Corpo e o seu Sangue sob os sinais do pão e do vinho, testemunhando “até ao extremo” o seu amor pela humanidade (Jo 13, 1), por cuja salvação se oferecerá em sacrifício.

Mistérios Dolorosos
(terças e sextas-feiras)
I – A Agonia de Jesus no Horto das Oliveiras: Na sua angústia, Jesus clamou ao Pai para que afastasse aquele cálice, mas que se cumprisse a sua vontade (Lc 22, 44-45).
II – A Flagelação de Jesus: “Pilatos tomou então a Jesus e mandou açoitá-lo. Jesus é amarrado a uma coluna e chicoteado pelos soldados romanos, que quase o mataram” (Jo 19, 17).
III – A Coroação de Espinhos: Despiram-no e vestiram-lhe um manto cor de púrpura, impondo-lhe à cabeça uma coroa de espinhos (Mt 27, 28-29).
IV – A Subida Dolorosa do Calvário: “Entregam a cruz a Jesus. Ele coloca-a nos ombros, sai da cidade e caminha para o Calvário” (Jo 19, 17).
V – A Morte de Jesus: “Gritando com voz forte, Jesus exclamou: ‘Pai em vossas mãos entrego meu espírito’. Dizendo isto, expirou” (Lc 23, 46).

Mistérios Gloriosos
(quartas-feiras e domingos)
I – A Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Não vos amedronteis. Procurais a Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Já ressuscitou. Não está aqui. Vede o lugar onde o colocaram” (Mt 28, 6-7).
II – A Ascensão de Jesus Cristo ao Céu: “Depois de assim lhes ter falado, o Senhor Jesus elevou-se ao céu e está sentado à direita de Deus Pai, e vive e reina para sempre” (Mc 6, 16).
III – A Vinda do Espírito Santo: “Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito Santo lhes concedia que se exprimissem” (At 2, 4).
IV – A Assunção de Maria: “Grande e maravilhoso sinal apareceu no céu: uma mulher revestida do sol, com a lua debaixo dos pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça” (Ap 12, 1).
V – A Coroação de Maria no Céu: “Tu és o orgulho de Jerusalém, a glória insigne de Israel, a honra do nosso povo.
Sê eternamente bendita pelo Senhor onipotente” (Jdt 15, 9-10).

Mistérios Vocacionais
(qualquer dia da semana)

Primeiro Mistério
A Busca: “Então Jesus voltou-se para eles e, vendo que o seguiam, perguntou-lhes: “A quem procurais? “ Responderam-lhe: “Rabi que quer dizer Mestre onde moras?” Ele disse: ‘Vinde e vede’. Eles foram, viram onde morava e ficaram com ele aquele dia. Eram quase quatro horas da tarde’ (Jo 1,38-39).

Segundo Mistério
O Chamado: “E Jesus lhes disse: ‘Vinde comigo, e eu farei de vós pescadores de gente’. Deixando imediatamente as redes, eles o seguiram” (Mc 1,17-18).

Terceiro Mistério
O Seguimento: “Então Jesus disse aos discípulos: ‘Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por amor de mim, há de encontrá-la’” (Mt 16,24-25).

Quarto Mistério
A Missão: “Ide, eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. […] Quando entrardes numa cidade e vos receberem, comei do que vos for servido, curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘O reino de Deus está próximo de vós'” (Cfr. Lc 10, 3-9).

Quinto Mistério
A Fidelidade Radical: “[…] As raposas têm tocas e os pássaros do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça”. […] “Deixa que os mortos enterrem os seus mortos. […] “Quem põe a mão no arado e olha para trás não é digno de mim” (cfr. Lc 57-62).