Criação: 01/09/1905

20160712_145302__MG_4337As famílias vindas do distrito de Treviglio (Itália), no dia 22 de outubro de 1875, para emigrarem para o Brasil, depois de embarcarem em Le Havre (França), combinaram entre si que ficariam sempre unidas. Para isso levantariam uma igrejinha ou capela em honra da “Madonna de Caravaggio”. A promessa de permanecerem sempre juntos não se concretizou, fixando-se no vale de Azambuja (valata Azambuja), situado a três quilômetros de Brusque, apenas 9 colonos. Inicialmente chamado de “Caminho do Ribeirão” ou “Caminho do Meio”, tomou o nome de Azambuja, possivelmente em homenagem ao Diretor do Departamento de Terras, Conselheiro Dr. Bernardo Augusto Nascentes d’Azambuja.

Já em 1876, apenas tinham chegado os primeiros colonos ao Vale de Azambuja, começaram a pensar em construir uma Capela em honra de Nossa Senhora de Caravaggio. Após algumas discussões de como fazê-la, no primeiro domingo de novembro de 1884, chegaram a uma conclusão: decidiram construí-la de tijolos, para que ficasse mais segura e mais barata, pois tudo se faria alí mesmo. No final deste mês era iniciada a fabricação dos tijolos e das telhas para o futuro templo. Foi erguida uma pequena igreja, medindo 6 metros de comprimento por 3 de largura. Com a sacristia totalizava 36 metros quadrados. O terreno foi doado por Pietro Colzani, possuidor do lote nº 16. Sobre o altar, um quadro de Nossa Senhora de Caravaggio, vindo diretamente da Itália. Este quadro ainda hoje pode ser admirado na gruta anexa ao Santuário. Aqui não se invoca Nossa Senhora de Caravaggio, mas Nossa Senhora de “Azambuja”.

No dia 24 de abril de 1887 a Capela foi benta pelo Padre Marcello Ronchi SJ, estando presente também o Pe. João Fritzen SJ, Vigário de Brusque.

Azambuja logo torna-se um centro de peregrinações. Crescendo o número de romeiros e vendo a importância espiritual que alcançava, Pe. Antônio Eising inicia a construção de uma nova Igreja, no mesmo ano em que chega a Brusque, 1892. A nova Igreja, que mede 10 metros de largura por 12 de comprimento, fora o Presbitério, está concluída em 1894. A antiga ermida, que ficava um pouco abaixo do atual Santuário, conservou o quadro de Nossa Senhora. Encomendaram na Itália as imagens de Nossa Senhora e de Joanita, as mesmas que ainda hoje se encontram no altar-mor do Santuário.

A partir de 1892 é comemorada a tradicional festa de 26 de maio, dia da aparição. Em 15 de agosto de 1900 é celebrada pela primeira vez a festa da Assunção de Nossa Senhora .
Cada vez mais afluíam devotos para as festas. Consta que na festa de 1900 contaram-se 2.000 romeiros.

Crescendo a importância, o Bispo Diocesano de Curitiba Dom Duarte Leopoldo e Silva, a 1º de setembro de 1905, eleva a Capela de Azambuja à dignidade de Santuário Episcopal, com o título de Santuário de Nossa Senhora de Azambuja, desmembrando-o da jurisdição do Vigário de Brusque. Na mesma oportunidade é nomeado Pe. Gabriel Lux, SCJ, “Fabriqueiro-Administrador do Santuário e Delegado da Autoridade Diocesana, com plenos poderes”.

A finalidade desta criação, basicamente, foi de, através das esmolas dos romeiros, se propiciar condições de subsistência à Santa Casa de Misericórdia de Nossa Senhora de Azambuja, que havia sido criada três anos antes, a 29 de junho de 1902.

Em abril de 1927 é transferido para Azambuja o Seminário Menor da Arquidiocese de Florianópolis. Pe. Jaime de Barros Câmara, que mais tarde viria a ser Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro, foi seu primeiro Reitor. Desde então os sacerdotes professores do Seminário, assumem também a pastoral do Santuário.

No dia 2 de novembro de 1927 são retirados da antiga Capelinha os quadros, bancos e ex-votos. No dia seguinte é feita a demolição da mesma. Ali junto à fonte, cujas águas são tidas como miraculosas, dá-se início à construção de uma gruta. Um ano depois, a 9 de dezembro de 1928, Pe. Jaime abençoava e inaugurava o novo monumento de piedade. Na gruta são entronizadas as imagens de nossa Senhora de Lourdes e Bernadete. Sobre a gruta, que está dois metros abaixo do nível do terreno, uma capela, onde estão o quadro de Nossa Senhora de Caravaggio e os ex-votos dos romeiros.

No dia 8 de dezembro de 1939 era lançada a pedra fundamental do novo e majestoso Santuário, o terceiro a ser edificado. Suas paredes foram erguidas em redor do Santuário anterior. O projeto, idealizado pelo renomado arquiteto Simão Gramlich, prevê uma torre com 40 metros de altura e uma nave central medindo 45 metros de comprimento por 16 metros de largura com uma altura de 20 metros. Entre junho e setembro de 1941 se destrói o antigo Santuário.

Embora já estivesse sendo usado desde 1943, somente em 26 de maio de 1956 Dom Joaquim Domingues de Oliveira oficia a consagração do Templo.

A partir de 1950 se constrói o “Morro do Rosário” que consta dos 15 Mistérios do Rosário, distribuídos ao longo do caminho de acesso ao cume do morro que fica atrás do Santuário. No topo o último dos Mistérios Gloriosos: a coroação da Virgem Maria pela Santíssima Trindade. Cada um dos mistérios consta de estátua ou grupos de estátuas feitas de cimento, em tamanho natural.

Decreto de criação do Santuário de Nossa Senhora de Azambuja

Dom Duarte Leopoldo e silva, por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica, Bispo de Curitiba.

“Aos que este nosso decreto virem, saudação, paz e benção em Nosso Senhor Jesus Cristo. Fazemos saber que, considerando Nós como um dever de caridade, que Nos é imposto pelo Nosso múnus Pastoral, acautelar os interesses dos pobres enfermos asilados no Hospital de Nossa Senhora de Azambuja, construído exclusivamente com as esmolas dos fiéis, pelo zelo incansável e dedicação apostólica dos Reverendíssimos Padres Antônio Eising e José Sundrup, e querendo Nós cobrir eficazmente os ditos enfermos com a Nossa proteção e desvelo do Nosso ministério, havemos por bem desmembrar, como pelo presente desmembramos, o Santuário de Nossa Senhora de Azambuja, Hospital anexo, e todo o território que atualmente lhe pertence, ou que para o futuro lhe venha a pertencer, por compra, doação, ou qualquer outro título legal, da jurisdição e obediência do Reverendíssimo Vigário de Brusque e seus sucessores na forma do Direito. Outrossim, havemos por bem elevar o dito Santuário à dignidade de ‘Santuário Episcopal’, submetendo-o inteiramente à Nossa jurisdição ou à do Delegado por Nós nomeado e provisionado, segundo a praxe da Diocese, concedendo-lhe as regalias de poder conservar o Santíssimo Sacramento, de ter Pia Batismal, e de nele se poderem administrar todos os Sacramentos, salvos sempre os direitos do Pároco de Brusque, e observadas as disposições do Direito e dos Estatutos Diocesanos. O Santuário terá um Fabriqueiro Administrador por Nós nomeado e provisionado que o administrará em Nosso nome, e a cuja jurisdição ficam subordinadas todas as pessoas que nele residirem. Terá um Livro de Tombo, onde se anotarão todos os fatos históricos ou interessantes, bem como todos os atos diocesanos referentes à sua administração; um Livro de Receitas e Despesas, onde serão escrupulosamente lançadas todas as esmolas, donativos, contribuições e auxílio dos fiéis para a manutenção do mesmo; Livro de Matrícula dos enfermos, e todos os mais que forem necessários. Este Nosso Decreto será lido à estação da Missa, na Igreja de Brusque e no Santuário, e depois remetido à nossa Câmara Episcopal, para ser integralmente transcrito no Livro competente. Dado e passado na Paróquia de Blumenau, em visita pastoral, sob Nosso Sinal e Selo das nossas armas, no dia 1º de setembro de 1905.”

Assinado +DUARTE, Bispo Diocesano.